sábado, 11 de abril de 2015

O pânico das delações premiadas



Quem acompanha regularmente o noticiário percebe que, à medida que avança a Operação Lava Jato, o desconcerto e o desespero tomam conta das hostes petistas, governamentais e adjuntas.

Os protestos contras as alegadas "arbitrariedades" de Sérgio Moro se avolumam e chegam ao patético, ao atribuírem ao juiz a violação dos "direitos humanos" e de fazer o País viver um regime fascista e ditatorial!

Delação de Ricardo Pessoa

A delação de Ricardo Pessoa, com suas revelações de dinheiro sujo na campanha da presidente Dilma, na campanha de Lula, no caixa do PT e de importantes ministros (para ficar só nisso), acendeu muitos sinais de alarme.

Sob o comando de Lula (sempre ele, o homem que manda em tudo e nunca sabe de nada) começou a campanha organizada do PT e de aliados contra as "arbitrariedades" na Lava Jato. Ainda segundo a imprensa, Dilma Rousseff "declarou guerra" ao empreiteiro Ricardo Pessoa; com uma frase, típica de organizações mafiosas, a presidente disse não respeitar "delatores". E o PT cobra o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pelo "descontrole" da PF.

Fernando Pimentel, o petista governador de Minas Gerais, também enroscado em graves denúncias, cujas capilaridades tocam o imenso esquema corrupto montado pelos governos petistas nas instituições do Estado, reclama do "uso abusivo de instrumentos de investigação".

Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, preso em Curitiba, desabafa que o País vive um "regime de exceção". E o jurista Celso Bandeira de Mello, amigo de Lula, próximo ao PT - e que considera José Dirceu o maior homem público do Brasil - investe contra o juiz Moro, acusando-o de sujeitar os presos a tortura psicológica e de usar a delação de "forma equívoca".


Razões escusas

Afinal, qual o motivo de tanto horror e tanta fúria com a Operação Lava Jato e, sobretudo, com as delações premiadas? Estarão estes defensores da "legalidade" realmente preocupados com os detidos? Não se entende porque investem contra as delações premiadas, que só beneficiam, em termos penais, quem as faz. O que parece motivar esta orquestração?

Segundo estudiosos do instituto da "delação premiada", esta é a única forma de quebrar a solidariedade que costuma reger uma organização criminosa, a famosa omertà, ou pacto de silêncio, entre mafiosos. Tal omertà, que implica nunca colaborar com as autoridades, é o mecanismo que protege os cabecilhas da organização criminosa. Na eventualidade de uma investigação que prospere, tal omertà permite que só sejam entregues ao rigor da lei figuras subalternas, as quais esperam, mais cedo ou mais tarde, ser beneficiadas por algum favor corrupto, obtido por seus "capos". Lembram-se das promessas feitas a Marcos Valério de "melar" o julgamento do Mensalão?

A "delação premiada", ao romper a cumplicidade e solidariedade reinante na organização criminosa, com consideráveis vantagens penais para os delatores, acaba por incentivar a quebra do "pacto de silêncio" e ajuda a expor os verdadeiros cabecilhas da organização, bem como suas entranhas e mecanismos de funcionamento.

É por este motivo, a meu ver, que a gritaria só aumenta, na proporção da importância das "delações premiadas".

* * *

Aperte o cinto, a base aliada sumiu


Por Bernardo Mello Franco, da Tribuna da Internet

A semana forneceu novos exemplos do desmanche acelerado da base parlamentar de Dilma Rousseff. Em dois dias, a presidente sofreu duas derrotas duríssimas no Congresso. O Senado aprovou o aumento dos servidores do Judiciário, e a Câmara abriu caminho para a redução da maioridade penal.

Em ambos os casos, o Planalto perdeu de lavada. No Senado, o PT ficou isolado, e o massacre tomou proporções épicas: 62 votos a 0. Dilma vai vetar o reajuste bilionário, mas corre o risco de ter a decisão derrubada pelo Legislativo.

A bomba orçamentária foi detonada com o apoio de nada menos que oito partidos que comandam ministérios: PMDB, PDT, PP, PR, PSD, PTB, PRB e PC do B. A tropa de infiéis é tão grande que não faz mais sentido falar em traição. A palavra que resume a nova atitude das siglas em relação a Dilma é abandono.

IMPOPULARIDADE

Com a presidente batendo recordes de impopularidade, sumiram os aliados dispostos a se sacrificar por ela. Bastam algumas buzinas para que qualquer grupo de servidores passe a ter mais força que o Planalto em votações importantes.

Criou-se uma equação boa para os partidos e ruim para o governo. Como Dilma não tem condições políticas para demitir ministros, as siglas continuam a se lambuzar de verbas sem apoiá-la. Casos pontuais, como as MPs do ajuste fiscal, são negociados no balcão de secos e molhados do vice Michel Temer.

Quando Marina Silva decolou na campanha de 2014, Dilma assombrou o eleitor com a ameaça de que a rival não teria maioria para governar. “Sem apoio no Congresso, não é possível assegurar um governo estável, sem crises institucionais”, afirmou, em debate no SBT.

No dia seguinte, a propaganda petista comparou a adversária a Jânio e Collor, presidentes que tentaram governar sem maioria e não conseguiram completar o mandato. Marina perdeu, mas o fantasma agora se volta contra Dilma.

* * *

Iotti, para Zero Hora-RS

A crise econômica é grave, mas nada é tão deletério como
a  ruindade  política  de  Dilma  e  de  seu  círculo  próximo

Por Reinaldo Azevedo, de seu blog

Não tem como! Não há Michel Temer que dê jeito. Refiro-me ao vice-presidente da República e presidente do PMDB, que responde pela coordenação política do governo na relação com o Congresso e com os demais partidos da base. Não há nada que consiga vencer as tolices feitas pelo núcleo mais próximo de Dilma, que a empurra para fazer notáveis bobagens. A que me refiro desta feita?

Neste domingo, o PSDB realizou a sua Convenção Nacional. Oficialmente, o partido não falou no impeachment, mas é evidente que os discursos foram muito duros. Todos os líderes bateram com punhos de aço: Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra, FHC e os representantes do partido no Congresso. Pergunta óbvia de resposta idem: a presidente esperava o quê? Elogios?

Um governo, quando bem-sucedido, costuma ser alvo dos adversários. Imaginem, então, este que temos. Embora tucanos tenham lidado com a hipótese de Dilma antecipar sua saída, o partido não pediu o impeachment. O correto teria sido o Planalto fazer silêncio a respeito da convenção tucana — ou, sei lá, emitir, no máximo, uma nota.

Mas não! Dilma decidiu convocar uma reunião de emergência — por que emergência? — com presidentes e líderes de partidos da base. Para quê? Segundo consta, ela pretende acalmar os aliados e cobrar deles que a defendam no Congresso, dado “esse clima de impeachment”.

É muito impressionante! A primeira pessoa que não deveria nem mesmo tocar em tal palavra é… Dilma. Ainda que mobilizasse seus aliados mais próximos para fazer essa defesa, esse é o tipo de coisa que se faz de forma discreta, sem acusar a preocupação. Ora, ontem, a convenção do PSDB tinha um peso — relevante, sim; afinal, trata-se do maior partido de oposição. Mas, agora, esse peso aumentou muito.

Em entrevista à Folha, publicada nesta segunda, José Eduardo Cardozo (Justiça) já havia espancado a ordem político-jurídica, sugerindo ser “golpe” o que, lá vamos nós, é só o exercício da lei.

A crise econômica é grave, sim. Mas nada é tão deletério para o país e para o próprio governo como a ruindade política de Dilma e daqueles que a cercam.

Definitivamente, ela não é do ramo. 

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